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Câmbio e Commodities: Impactos no Fornecimento em 2025

Câmbio volátil e commodities em queda pressionam a cadeia de fornecimento industrial. Veja análises e estratégias para minimizar impactos no final de 2025.

Câmbio e Commodities: Impactos no Fornecimento em 2025

Um final de 2025 marcado por volatilidade

O último trimestre de 2025 apresenta desafios significativos para gestores de compras e supply chain no Brasil. A combinação de um real pressionado — operando na faixa de R$ 5,85 a R$ 6,10 por dólar —, a queda nos preços de commodities minerais e as incertezas do cenário geopolítico global está criando um ambiente de difícil previsibilidade para a precificação de insumos industriais.

Dados do Banco Central do Brasil mostram que o real acumula desvalorização de 12,7% frente ao dólar em 2025, posicionando-se como uma das moedas emergentes com pior desempenho no ano. Essa depreciação, embora favoreça exportadores, tem efeito devastador sobre o custo de insumos importados — que representam, em média, 28% do custo de produção da indústria de transformação brasileira, segundo cálculos da CNI.

O comportamento das principais commodities industriais

Minério de ferro e aço

O minério de ferro, principal commodity de exportação brasileira depois da soja, registrou queda de 24% em 2025, saindo de US$ 128/tonelada em janeiro para US$ 97/tonelada em novembro, conforme dados da Bloomberg. A desaceleração do setor imobiliário chinês — que responde por cerca de 35% da demanda global de aço — é o principal fator por trás dessa retração.

Para a indústria brasileira, essa queda tem efeito ambíguo. Por um lado, reduz as receitas de exportação de mineradoras e siderúrgicas. Por outro, tende a pressionar os preços domésticos do aço para baixo, beneficiando compradores industriais. O Instituto Aço Brasil reportou que os preços internos de bobinas laminadas a quente recuaram 8% entre junho e novembro de 2025, embora permaneçam acima dos patamares de 2023.

Petróleo e derivados

O petróleo Brent oscilou entre US$ 68 e US$ 82 por barril ao longo de 2025, segundo a Reuters, refletindo o equilíbrio entre cortes de produção da OPEP+ e a demanda global moderada. Para a indústria brasileira, os preços dos derivados de petróleo — diesel, nafta, resinas e solventes — são diretamente influenciados pela cotação internacional e pelo câmbio, criando uma dupla exposição que amplifica a volatilidade.

A Petrobras anunciou em outubro de 2025 um reajuste de 6,5% no preço da nafta petroquímica, insumo básico para a cadeia de plásticos e químicos. Esse aumento reverbera por toda a cadeia, encarecendo desde embalagens plásticas até tintas e adesivos industriais.

Cobre e metais não ferrosos

O cobre, termômetro da atividade industrial global, apresentou comportamento mais resiliente, sustentado pela demanda crescente associada à transição energética. O preço na London Metal Exchange (LME) manteve-se acima de US$ 8.500/tonelada durante a maior parte do ano, com picos de US$ 9.200 em setembro. Para indústrias que dependem de cobre e suas ligas — como a eletroeletrônica, automotiva e de energia —, esse patamar elevado representa pressão persistente nos custos.

Celulose e papel

O mercado de celulose passou por correção significativa em 2025. Após atingir picos históricos em 2024, os preços da celulose de fibra curta recuaram 18% no acumulado do ano, segundo dados da RISI (agência de referência do setor). A expansão de capacidade no Brasil e no Uruguai, combinada com a demanda chinesa abaixo do esperado, pressionou as cotações. Para fabricantes de embalagens de papel e papelão, essa queda representa alívio nos custos de matéria-prima.

A dinâmica cambial e seus efeitos cascata

A depreciação do real em 2025 tem raízes tanto internas quanto externas. No front doméstico, a preocupação com a trajetória fiscal — evidenciada pelo crescimento das despesas obrigatórias e pela dificuldade de aprovação de medidas de ajuste no Congresso — mantém a pressão sobre a moeda. No front externo, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, embora ainda favorável ao real, se estreitou com a manutenção de taxas elevadas pelo Federal Reserve.

Para a indústria, os efeitos do câmbio se manifestam em múltiplas dimensões:

  • Custo de importação: cada 10% de desvalorização do real adiciona aproximadamente 2,8% ao custo de produção industrial, segundo estimativa da FIESP.
  • Repasse a preços: o coeficiente de pass-through cambial na indústria brasileira é estimado em 35-45%, significando que cerca de metade da variação cambial é absorvida pelas margens antes de chegar ao consumidor final.
  • Contratos de longo prazo: fornecedores com contratos indexados ao dólar repassam imediatamente a variação cambial, enquanto aqueles com preços em reais precisam renegociar periodicamente, criando fricções na cadeia.

Estratégias de proteção para compradores industriais

Diante desse cenário de volatilidade, gestores de compras precisam adotar estratégias ativas de mitigação de riscos. Algumas abordagens que têm se mostrado eficazes incluem:

Hedge cambial

A contratação de instrumentos de proteção cambial — como NDFs (Non-Deliverable Forwards) e opções de câmbio — permite travar custos de importação em patamares conhecidos. Segundo pesquisa da Deloitte publicada em setembro de 2025, apenas 28% das indústrias de médio porte brasileiras utilizam hedge cambial de forma sistemática, indicando um espaço significativo para melhoria na gestão de riscos financeiros.

Diversificação de origens de importação

Concentrar importações em um único fornecedor ou país de origem amplifica a exposição a choques específicos. A diversificação geográfica das compras — combinando, por exemplo, fornecedores europeus, asiáticos e latino-americanos — permite arbitrar preços e reduzir riscos logísticos. Essa estratégia é detalhada em nosso conteúdo sobre tendências e boas práticas da indústria.

Nacionalização de componentes

A substituição gradual de componentes importados por equivalentes nacionais é uma das estratégias mais eficazes de proteção contra a volatilidade cambial. Embora nem sempre seja possível ou economicamente vantajosa no curto prazo, a nacionalização reduz estruturalmente a exposição cambial da empresa. A CNI estima que o potencial de substituição de importações no Brasil alcança R$ 45 bilhões anuais em categorias específicas de insumos industriais.

Contratos com cláusulas de revisão

Negociar contratos com mecanismos automáticos de ajuste — baseados em índices como o dólar PTAX, o IPA-M setorial ou índices de commodities específicos — distribui o risco cambial entre compradores e fornecedores, criando relações comerciais mais sustentáveis no longo prazo.

Perspectivas para o primeiro trimestre de 2026

As projeções para o início de 2026 são de manutenção da volatilidade, porém com viés de estabilização:

  • Câmbio: o Boletim Focus projeta o dólar em torno de R$ 5,75 ao final do primeiro trimestre de 2026, com risco de alta caso o cenário fiscal se deteriore.
  • Commodities: analistas da McKinsey projetam estabilização nos preços de commodities industriais em 2026, com o minério de ferro na faixa de US$ 90-105/tonelada e o petróleo entre US$ 70-80/barril.
  • Juros: a expectativa de início de corte da Selic no segundo trimestre de 2026 pode contribuir para a apreciação do real e o alívio nos custos de carregamento de estoques.

Para os profissionais que atuam na gestão de suprimentos industriais, o momento é de atenção redobrada e ação preventiva. A volatilidade é, ao mesmo tempo, fonte de risco e de oportunidade — e aqueles que conseguirem antecipar movimentos terão vantagens competitivas relevantes. Acompanhe as análises de gestão e estratégia para aprofundar o entendimento sobre as melhores práticas de gestão de riscos na cadeia de suprimentos.

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